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MenopausaEndocrinologia da Mulher·

Fezolinetante: uma nova opção não hormonal para os fogachos da menopausa

Por Dra. Lorena Amato
Fezolinetante: uma nova opção não hormonal para os fogachos da menopausa

As ondas de calor, também chamadas de fogachos, estão entre os sintomas mais comuns e incômodos da menopausa. Surgem como uma sensação súbita de calor intenso, vermelhidão no rosto, suor excessivo, palpitações e, muitas vezes, despertares noturnos. Para algumas mulheres são leves e passageiros; para outras, atrapalham o sono, o humor, a concentração, o trabalho e a qualidade de vida.

Nos últimos anos surgiu uma nova opção de tratamento: o fezolinetante, comercializado em alguns países como Veozah ou Veoza. Trata-se de um medicamento oral e não hormonal, aprovado para sintomas vasomotores moderados a graves associados à menopausa — ondas de calor e suores noturnos.

O que são os fogachos?

Durante a transição para a menopausa, ocorre uma redução progressiva dos níveis de estrogênio. Essa mudança hormonal interfere em áreas do cérebro que regulam a temperatura corporal. Como resultado, o corpo passa a reagir de forma exagerada a pequenas variações de temperatura, gerando os episódios de calor intenso.

Os fogachos podem vir acompanhados de:

  • calor súbito no rosto, pescoço e tórax;
  • suor intenso;
  • calafrios após o episódio;
  • palpitações;
  • piora do sono;
  • irritabilidade e cansaço no dia seguinte.

Quando são frequentes ou intensos, esses sintomas merecem avaliação médica.

Como o fezolinetante funciona?

O fezolinetante age de forma diferente da terapia hormonal. Ele atua no sistema da neurocinina B, uma substância envolvida no controle da temperatura corporal no cérebro.

Na menopausa, a queda do estrogênio pode desregular esse sistema, favorecendo as ondas de calor. O fezolinetante bloqueia o receptor de neurocinina 3 (NK3), ajudando a reduzir a frequência e a intensidade dos fogachos.

Em outras palavras: ele não repõe hormônios. Ele age em uma via neurológica relacionada ao controle da temperatura.

Qual a diferença em relação à terapia hormonal?

A terapia hormonal da menopausa continua sendo uma das opções mais eficazes para muitas mulheres com sintomas importantes. No entanto, nem sempre é indicada: algumas pacientes têm contraindicações, riscos aumentados ou simplesmente preferem evitar hormônios.

O fezolinetante pode ser uma alternativa para mulheres com fogachos moderados a graves que precisam ou desejam uma opção não hormonal. Isso não significa que ele seja melhor para todas: a escolha do tratamento depende da idade, tempo desde a menopausa, histórico pessoal e familiar, risco cardiovascular, risco de câncer, função hepática, sintomas associados e preferências da paciente.

Quem pode se beneficiar?

O medicamento pode ser considerado em mulheres na menopausa com ondas de calor moderadas a graves, especialmente quando esses sintomas prejudicam a rotina, o sono ou a qualidade de vida. Pode ser particularmente interessante para mulheres que:

  • têm fogachos frequentes;
  • acordam à noite por suor ou calor;
  • não podem usar terapia hormonal;
  • têm receio de usar hormônios;
  • já tentaram medidas comportamentais sem melhora suficiente;
  • precisam de uma abordagem individualizada.

A decisão, porém, deve sempre ser feita em consulta médica.

Existe algum cuidado importante?

Sim. Apesar de ser não hormonal, o fezolinetante não deve ser usado sem acompanhamento médico. Um dos principais pontos de atenção é a segurança hepática — o cuidado com o fígado.

A bula norte-americana recomenda exames laboratoriais hepáticos antes do início do tratamento e monitorização durante o uso, incluindo acompanhamento mensal nos três primeiros meses e novas avaliações em 6 e 9 meses. Também orienta interromper o medicamento e procurar atendimento caso surjam sinais sugestivos de lesão hepática, como cansaço novo, perda de apetite, náuseas, vômitos, coceira, pele ou olhos amarelados, fezes claras, urina escura ou dor abdominal.

O FDA acrescentou alerta sobre a rara possibilidade de lesão hepática grave associada ao uso do fezolinetante. Por isso, antes de iniciar o tratamento, é importante avaliar:

  • histórico de doenças no fígado;
  • uso de outros medicamentos;
  • exames laboratoriais;
  • contraindicações;
  • intensidade dos sintomas;
  • outras opções terapêuticas disponíveis.

Medidas de estilo de vida ainda ajudam?

Sim. Mesmo quando há indicação de medicamento, algumas medidas podem contribuir para reduzir a intensidade dos sintomas:

  • manter o ambiente fresco;
  • evitar álcool em excesso;
  • observar gatilhos individuais (comidas apimentadas, bebidas quentes, estresse);
  • praticar atividade física regularmente;
  • cuidar do sono;
  • manter alimentação equilibrada;
  • controlar peso, quando necessário;
  • usar roupas leves e em camadas.

Essas medidas nem sempre resolvem sozinhas os fogachos moderados a graves, mas podem somar ao tratamento.

Conclusão

O fezolinetante representa um avanço importante no tratamento dos fogachos da menopausa por oferecer uma alternativa oral, não hormonal e com mecanismo de ação específico. Ele pode melhorar a qualidade de vida de mulheres que sofrem com ondas de calor intensas, especialmente quando a terapia hormonal não é indicada ou não é desejada.

Como qualquer medicamento, precisa ser bem indicado e acompanhado. A menopausa não deve ser tratada de forma padronizada: cada mulher tem uma história, sintomas, riscos e objetivos diferentes.

Se você tem ondas de calor frequentes, suor noturno ou piora do sono relacionada à menopausa, converse com sua endocrinologista para avaliar qual é a melhor opção para o seu caso.

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