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EntrevistasHormônios·

Zero Hora — Revista Donna — Libido em baixa? O que pode estar atrapalhando o desejo

Por Dra. Lorena Amato

A Revista Donna, do jornal Zero Hora (RBS), dedicou capa de 26 e 27 de fevereiro de 2022 ao tema da libido feminina. A endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato, autora do livro “Onde Está a Minha Libido?”, foi consultada para listar os principais fatores hormonais, clínicos e medicamentosos que podem interferir no desejo sexual.

Uma queixa frequente — e silenciada

“A diminuição do desejo sexual é uma queixa frequente entre as mulheres que atendo no consultório. Muitas não tocam no assunto com seus médicos, ficam anos sem viver a sexualidade de forma plena. E, às vezes, o que falta é somente um pouco mais de informação, quebrar mitos. Falar sobre o assunto já traz, de certa forma, maior liberdade entre as mulheres”, afirma a Dra. Lorena.

Alterações hormonais que afetam a libido

Há alterações endocrinológicas específicas que interferem na libido. “Por exemplo, a prolactina alta, que se dá em situações fisiológicas, como durante a amamentação pós-parto, e patológicas, em casos de tumores e hipófises”, explica.

Existem ainda outras alterações hormonais relevantes — como o hipotireoidismo e as decorrentes da menopausa, com a queda do estrogênio, que também interferem significativamente no desejo. “Vai depender da origem de cada alteração. Em alguns casos, a reposição pode resolver o problema, mas nem sempre ela é a resposta. Há situações diferentes, como o hipertireoidismo, em que o tratamento segue outra direção — por isso é fundamental a consulta médica.”

Doenças e medicamentos

Muitas doenças, quando não adequadamente tratadas — como hipertensão, diabetes e enxaqueca — podem interferir negativamente na libido. O mesmo vale para vários tratamentos crônicos: ansiolíticos, antidepressivos, hipnóticos, antialérgicos, anti-hipertensivos e anticoncepcionais, entre outros.

A dica é conversar a respeito com o seu médico. Não é recomendado suspender um tratamento por conta própria se houver alteração na resposta sexual, uma vez que a própria condição da doença pode afetar ainda mais a libido se não estiver sob controle.

Quando procurar ajuda

Se queda de libido vem acompanhada de cansaço, alterações de humor, irregularidade menstrual, sintomas de menopausa ou ganho de peso, vale buscar avaliação endocrinológica. Em muitos casos, ajustar a tireoide, tratar a prolactina ou reavaliar a contracepção já devolve qualidade de vida sexual.

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