JB Castelo — Reposição hormonal em homens: como e quando fazer?
Em entrevista ao JB Castelo (edição 182, julho de 2022), a endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato — doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM) — esclareceu quando a reposição hormonal masculina (terapia para hipogonadismo / andropausa) está indicada, como é feita e quais os riscos do chamado “testosterona natural”.
Para que serve a reposição hormonal em homens?
Alguns homens experimentam, por diversas causas e em várias idades, uma queda dos níveis de testosterona. Essas situações podem se beneficiar da reposição hormonal — desde que com indicação, dose e seguimento corretos. A terapia eleva a testosterona novamente a patamares normais, com isso reduzindo os sintomas relacionados à queda.
Quais tipos de reposição existem?
“Existem várias formas de reposição hormonal em homens. Todas as diferenças: as opções vão da via transdérmica (gel) à oral, ao adesivo, ao implante (pellet) e à reposição de testosterona por via intramuscular”, explica a Dra. Lorena.
O que é a “reposição hormonal natural”? Ela funciona?
“Muitas vezes se chama de ‘reposição hormonal natural’ uma fórmula com bioidênticos ou homeopáticos. Quando feita com ervas, fitoterápicos ou homeopatia, não há embasamento científico que sustente esse tipo de proposta — e os efeitos colaterais dos hormônios podem aparecer mesmo assim. No entanto, muitas vezes alguns profissionais chamam de ‘reposição hormonal natural’ uma fórmula manipulada que, na verdade, é feita com testosterona em si, e nesse caso o que muda é só o nome.”
Quanto dura o tratamento?
A duração depende do motivo pelo qual a reposição foi indicada. Em casos de hipogonadismo (queda dos níveis de testosterona) definitivo, a terapia é para sempre. Em casos do que chamamos de hipogonadismo funcional — quando a queda dos níveis de testosterona pode estar associada a doenças crônicas mal controladas (obesidade, diabetes, hipertensão, alterações metabólicas) — o tratamento adequado dessas doenças pode fazer com que o próprio organismo volte a produzir testosterona, não sendo mais necessária a reposição.
Para quem está indicada?
A reposição de testosterona é indicada para homens que tenham, por algum motivo, uma queda dos níveis de testosterona, na presença de sintomas — o chamado hipogonadismo. Causas frequentes incluem doenças definitivas dos testículos, lesões adquiridas, doenças da hipófise, obesidade, diabetes, doenças metabólicas, uso de anabolizantes no passado e doenças crônicas mal controladas.
Quais os benefícios?
A terapia restaura a sensação de bem-estar, melhora libido, diminui sensação de fadiga, melhora função erétil e contribui para massa muscular e saúde óssea — sempre desde que indicada de forma correta.
Quando não está indicada?
Não é recomendada em algumas situações — como nos casos com câncer de próstata em atividade, doenças cardiovasculares descompensadas ou alterações hematológicas significativas — e exige avaliação periódica de PSA, hemograma e perfil hepático.
Quais os efeitos colaterais?
Quando a reposição hormonal é bem indicada e feita com acompanhamento, os efeitos colaterais costumam ser leves. Riscos relacionados ao excesso de testosterona — como elevação do hematócrito (sangue mais espesso), acne, ginecomastia e infertilidade temporária — podem ser modulados com ajuste de dose e via.
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