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Tratamentos·

Cannabis e regulação do apetite: mecanismos e efeitos no organismo

Por endocrino
Cannabis e regulação do apetite: mecanismos e efeitos no organismo

A relação entre o consumo de cannabis e o sistema endocanabinoide está diretamente ligada à regulação do apetite. Uma das razões pelas quais esta substância frequentemente aumenta a fome. Essa relação portanto ocorre devido à interação do tetra-hidrocanabinol (THC), principal componente ativo da cannabis, com os receptores do sistema endocanabinoide no corpo.

O sistema endocanabinoide

sistema endocanabinoide então, é um sistema de sinalização celular presente em todo o corpo, que desempenha um papel importante na regulação de diversas funções, como o humor, dor, memória, controle motor, e, de maneira significativa, o apetite e o metabolismo.

Este sistema é composto de receptores canabinoides (principalmente CB1 e CB2), endocanabinoides (como a anandamida e o 2-AG) e enzimas responsáveis pela síntese e degradação desses compostos.

• Receptores CB1: Os receptores portanto predominam no sistema nervoso central e desempenham um papel crucial na regulação do apetite, humor e percepção de prazer.

• Receptores CB2: Esses receptores estão mais concentrados no sistema imunológico e em células relacionadas à resposta inflamatória, tendo menos impacto direto sobre o apetite.

THC e a estimulação do apetite

Os estudos sobre cannabis e regulação do apetite demonstram que o THC atua principalmente ativando os receptores CB1 no cérebro. A ativação desses receptores contudo desencadeia uma série de efeitos, incluindo o aumento da sensação de prazer associada ao consumo de alimentos, promovendo o comportamento alimentar.

A compreensão da relação entre cannabis e regulação do apetite tem levado a avanços significativos no tratamento.

Especificamente, a ativação dos receptores CB1 por THC resulta em:

• Aumento da liberação de dopamina, o que amplifica a recompensa e o prazer ao comer, especialmente alimentos saborosos e ricos em calorias.

• Estimulação de neurônios no hipotálamo, que é uma região do cérebro que controla o apetite. O hipotálamo responde à ativação do sistema endocanabinoide promovendo a sensação de fome.

• Modulação de outros neurotransmissores, como o GABA e o glutamato, que regulam ainda mais o comportamento alimentar.

O Efeito "Larica" (Fome Intensa)

Ao utilizar cannabis, o THC ativa os receptores CB1 no cérebro, levando a uma intensificação do apetite. Mesmo em indivíduos que, sob circunstâncias normais, não apresentariam fome.

Este efeito é amplificado pela preferência por alimentos ricos em gordura, açúcar e carboidratos, devido à liberação de dopamina. Aumentando a recompensa associada ao ato de comer.

Esse efeito é tão significativo que tem sido estudado como uma possível intervenção terapêutica para pacientes que sofrem de falta de apetite em condições como:

  • Câncer (onde o apetite é suprimido pela quimioterapia),
  • HIV/AIDS (onde a perda de apetite e o emagrecimento são comuns),
  • Outras doenças crônicas que causam caquexia (perda severa de peso e massa muscular).

O Sistema endocanabinoide natural e o controle do apetite

Mesmo sem o uso de maconha, o sistema endocanabinoide do corpo regula o apetite naturalmente. Endocanabinoides, como a anandamida, são produzidos pelo próprio corpo e têm funções semelhantes ao THC, embora seus efeitos sejam mais sutis e regulados. Eles ajudam a ajustar o apetite de acordo com as necessidades energéticas do corpo, aumentando a fome quando os níveis de energia estão baixos e inibindo-a quando as reservas de energia são suficientes.

Através dessa regulação fina, o sistema endocanabinoide contribui para o equilíbrio energético e a manutenção de um peso corporal saudável. No entanto, o uso de THC pode desregular esse equilíbrio, promovendo o consumo excessivo de calorias, o que pode levar ao ganho de peso.

Considerações sobre a Saúde

Embora o aumento do apetite causado pelo THC possa ser benéfico em contextos clínicos específicos, o uso recreativo regular da maconha pode ter consequências indesejáveis relacionadas ao apetite, como:

• Aumento do consumo calórico e, potencialmente, ganho de peso devido à preferência por alimentos ricos em gordura e açúcar durante os episódios de "larica".

• Alterações metabólicas associadas à exposição crônica ao THC, o que pode influenciar o metabolismo e a maneira como o corpo lida com os nutrientes.

Por outro lado, há também estudos que sugerem que usuários crônicos de maconha podem, paradoxalmente, ter um índice de massa corporal (IMC) mais baixo do que o esperado, possivelmente devido à desensibilização dos receptores CB1 ao longo do tempo, embora esse fenômeno ainda esteja em investigação.

Conclusão do cannabis e regulação do apetite

A relação entre cannabis e regulação do apetite é complexa e multifacetada, envolvendo diversos mecanismos fisiológicos. O THC ativa os receptores CB1 no cérebro, desencadeando uma resposta intensa de fome e prazer associada à comida, o que leva ao famoso "efeito larica". Embora isso possa ser útil em contextos médicos, o uso recreativo regular pode alterar o equilíbrio natural do apetite, afetando o comportamento alimentar e, potencialmente, o peso e a saúde metabólica de longo prazo.

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